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quinta-feira, 27 de janeiro de 2022.
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Política

Jair Bolsonaro assina filiação e entra oficialmente no PL

O presidente Jair Bolsonaro se filiou ao PL na manhã desta terça-feira (30), em um evento com ministros, governadores, dirigentes partidários e parlamentares. Bolsonaro estava sem partido há mais de dois anos, desde que deixou o PSL, legenda pela qual se elegeu ao Palácio do Planalto em 2018.

Seu discurso foi de gestos a parlamentares e de ataques à esquerda: “Nós tiramos o Brasil da esquerda, nós todos tiramos. Olha para onde estávamos indo”, disse o mandatário para a plateia, citando a Venezuela. “As cores verde e amarela [estão agora] predominando sobre o vermelho. Nós conseguimos fazer brotar o sentimento de patriotismo.”
Ao seu lado no evento estavam dirigentes do centrão, que foram base e integraram o primeiro escalão dos governos petistas.

O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, por exemplo, foi preso e condenado no escândalo do mensalão, revelado ainda no primeiro mandato de Lula, em 2005. O discurso de Valdemar, que antecedeu o do presidente, ressaltou os programas sociais do governo, como o Auxílio Brasil: “Senhor presidente, temos a noção exata da nossa responsabilidade ao empunhar as bandeiras de sua obra à frente de um governo que nunca de intimidou”, disse.
Já o mandatário acenou aos partidos do centrão e citou nominalmente os dirigentes do PP e do Republicanos, Ciro Nogueira e Marcos Pereira, respectivamente, que estavam na plateia. Os três são as principais legendas que dão sustentação ao governo federal. “Estou me sentindo aqui, Arthur Lira, em casa”, declarou Bolsonaro. Presidente da Câmara, o deputado do PP é aliado do Planalto. “Pode ter certeza que nenhum partido será esquecido por nós. Não temos aqui a virtude de sermos o único certo, queremos, sim, compor nos estados.”

Diante da plateia de políticos, vários deles investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o chefe do Executivo atacou – sem mencionar nominalmente – o ministro Alexandre de Moraes, relator de inquéritos que miram o presidente e seus apoiadores. “Alguns extrapolam aqui na região, na Praça dos Três Poderes. Mas essa pessoa vai ser enquadrada, vai se enquadrando, vai vendo que a maioria somos nós. Nós aqui, que temos votos, em especial, é que devemos conduzir o destino da nossa nação”, disse Bolsonaro.

Flávio
No evento, o discurso mais político e eleitoral coube ao filho do presidente Flávio Bolsonaro (RJ), que também se filiou ao PL nesta terça. O senador criticou o ex-ministro da Justiça e presidenciável do Podemos, Sergio Moro, chamando-o de traidor. Ele relembrou do episódio em que o então ministro divulgou conversa com a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), de quem foi padrinho de casamento, a respeito da troca no comando da Polícia Federal. “Juntos, vamos vencer o vírus, qualquer traidor e qualquer ladrão de nove dedos, pelo bem do Brasil”, afirmou.
O filho senador do presidente atacou também os governos petistas. “Ainda querem nos fazer crer que um ex-presidiário, preso por roubar o povo brasileiro, estará à frente [de Bolsonaro nas pesquisas].”

Filiações
Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) também prestigiou a cerimônia no PL, mas, quando questionado sobre sua filiação, disse que “agora não”. O ministro é a aposta de Bolsonaro para a disputa ao Governo de São Paulo. “É uma esperança para o nosso querido estado de São Paulo”, disse Bolsonaro no discurso. “Quero deixar bem claro que eu e Valdemar não seremos as pessoas que vão decidir tudo sozinho. Em grande parte, vai passar por vocês. Queremos compor.”
Filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disse “acreditar” que deve se filiar ao PL também, mas afirmou que é preciso “conversar ainda”. Mais ideológico que o irmão Flávio, o deputado foi questionado se as antigas críticas ao centrão se manteriam agora. “O presidente tem que governar com o Congresso que tá aí. Tem uma entrevista dele em 2017 para a Jovem Pan que ele fala exatamente isso. Ele não é um ditador. O Congresso, quem escolhe não é o presidente, é a população”, disse.

O evento foi bastante diferente do lançamento da Aliança pelo Brasil, partido que Bolsonaro tentou criar, sem sucesso. À época, a plateia estava repleta de apoiadores e discursos ideológicos. O tom da assinatura da ficha do presidente nesta terça-feira foi, assim como a plateia, político. Apenas ao final, após assinar a ficha de filiação, Bolsonaro deixou o local e foi até um carro de som que estava posicionado em frente ao local onde ocorreu o evento e falou para uma plateia de menos de cem pessoas.

Ainda que Bolsonaro quisesse uma filiação mais discreta, o quórum de ministros foi alto. Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), entre outros, devem se filiar ao PL. Ministros mais “ideológicos” como Damares Alves (Direitos Humanos), Braga Netto (Defesa) e Augusto Heleno (GSI) não participaram da cerimônia.

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