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Política

PF avança em caso de tentativa de golpe por Bolsonaro

sexta-feira, 09 de fevereiro 2024

A Polícia Federal (PF) realizou, nessa quinta-feira (8), operação que investiga tentativa de golpe de Estado para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder. Ele foi um dos alvos dos agentes, que foram à casa de Bolsonaro na Vila Histórica de Mambucaba, em Angra dos Reis (RJ), e apreenderam o celular de um dos assessores dele, Tercio Arnaud Thomaz, que estava na residência com o ex-presidente.
Além disso, houve determinação para que Bolsonaro entregasse o passaporte e, como o documento não estava em Angra, os policiais deram prazo de 24 horas para que fosse entregue.

O passaporte estava na sede do PL, em Brasília, e foi entregue aos policiais que faziam busca e apreensão no prédio do partido.
“Saí do governo há mais de um ano e sigo sofrendo uma perseguição implacável”, disse Bolsonaro, em uma chamada de vídeo no WhatsApp, à reportagem. “Me esqueçam, já tem outro governando o país.”
A PF informou a Bolsonaro que ele está proibido de se comunicar com os outros alvos da operação. Ele afirmou à reportagem que está ainda se inteirando das buscas e apreensões e das prisões e que não poderia dar mais declarações. “Estou tentando entender, parece que é um novo inquérito”, disse.
As buscas realizadas ontem fazem parte da Operação Tempus Veritatis, que apura organização criminosa que teria atuado na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, para tentar obter vantagem de natureza política com a manutenção do então presidente da República no poder mesmo depois de derrotado por Lula (PT) nas eleições de 2022. As informações que embasaram a operação foram coletadas na delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid.


Os policiais cumpriram 33 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva em dez estados e no Distrito Federal. Dois ex-assessores de Bolsonaro, coronel Marcelo Câmara e Filipe Martins, foram presos. Câmara já era investigado no caso da fraude ao cartão de vacinação do ex-presidente. Martins foi assessor especial para Assuntos Internacionais do ex-presidente.


Há ainda medidas cautelares, como proibição de contatos entre os investigados, retenção de passaportes e destituição de cargos públicos. Entre os alvos da operação estão os ex-ministros de Bolsonaro: general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional – GSI), general Braga Netto (Casa Civil e Defesa), Anderson Torres (Justiça) e o ex-comandante do Exército Paulo Sérgio Nogueira, que é acusado de ter comandado a investida do Exército contra as urnas eletrônicas.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também foi alvo de busca e apreensão. Na lista estão ainda o almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha, e o general Estevam Theophilo Gaspar. Ligado a Paulo Nogueira, ele foi o chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército no governo Bolsonaro. Além dos mandados de prisão preventiva contra Felipe Martins e Marcelo Câmara, um outro assessor, Rafael Martins, major das Forças Especiais do Exército, foi alvo de mandado.


As medidas foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no âmbito do inquérito das milícias digitais. Na decisão, Moraes relata que a PF está de posse de vídeo de uma reunião ministerial de Bolsonaro realizada em 5 de julho de 2022, a três meses das eleições, ocasião em que ele e auxiliares discutem cenários golpistas. O vídeo, segundo o inquérito, estava armazenado em computador apreendido com Mauro Cid.


Segundo a PF, as investigações apontam que o grupo investigado se “dividiu em núcleos de atuação para disseminar a ocorrência de fraude nas Eleições Presidenciais de 2022, antes mesmo da realização do pleito, de modo a viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em dinâmica de milícia digital”.
Depois disso, o grupo teria desenvolvido atos concretos para “subsidiar a abolição do Estado Democrático de Direito, através de golpe de Estado, com apoio de militares com conhecimentos e táticas de forças especiais no ambiente politicamente sensível”. Os mandados foram cumpridos no Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, em Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, no Paraná, Rio de Janeiro e em São Paulo.

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