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Política

PF investigará permanência de Bolsonaro na Embaixada da Hungria

terça-feira, 26 de março 2024

A Polícia Federal (PF) investigará a informação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) permaneceu na Embaixada da Hungria, em Brasília, durante dois dias após a operação da PF que apreendeu o passaporte dele. A notícia foi revelada nessa segunda-feira (25) pelo jornal The New York Times. Segundo a publicação norte-americana, vídeos do sistema de segurança mostram Bolsonaro em frente à missão diplomática no dia 12 de fevereiro. Quatro dias antes, a PF havia apreendido o passaporte do ex-presidente, em investigação que apura trama golpista liderada por ele para se manter no poder, apesar da derrota eleitoral para Lula (PT). Segundo investigadores da PF, é cedo para dizer se houve tentativa de fuga, mas é preciso investigar a veracidade e a motivação de o ex-presidente ter ficado na Embaixada. O The New York Times diz que as câmeras mostram que Bolsonaro estava acompanhado de dois seguranças e que teria permanecido no prédio de 12 de fevereiro a 14 de fevereiro deste ano. Um funcionário da Embaixada da Hungria confirmou o plano de receber Bolsonaro no local, de acordo com o jornal. Caso permanecesse dentro da missão diplomática, Bolsonaro não poderia ser alvo de uma ordem de prisão, por exemplo, por se tratar de prédio protegido pelas convenções diplomáticas. O ex-presidente é aliado próximo do líder da Hungria, Viktor Orbán, um dos principais expoentes da extrema-direita na Europa. Trata-se de um país pós-comunista de 10 milhões de habitantes, que se tornou referência para conservadores em todo o mundo. Isso não aconteceu por acaso: foi uma política de Estado pensada meticulosamente por Orbán. Em paralelo ao investimento do governo húngaro na construção de um soft power veio o desmonte da democracia húngara. O primeiro-ministro governa desde 2010 com uma maioria de dois terços do parlamento, o que permitiu que ele aprovasse uma nova Constituição. Institutos que medem a qualidade das democracias no mundo, opositores e jornalistas dizem que Orbán minou a independência do Judiciário, tomou conta do mercado da mídia, sufocou ONGs e universidades, aprovou leis contra minorias, como a comunidade LGBTQIA+ e os imigrantes, e redefiniu distritos eleitorais para favorecer o partido dele. Após a revelação do caso, a defesa do ex-presidente afirmou que ele se hospedou na Embaixada somente para manter contato com autoridades do país amigo. “Nos dias em que esteve hospedado na Embaixada, a convite, o ex-presidente brasileiro conversou com inúmeras autoridades do país amigo atualizando os cenários políticos das duas nações.” A nota disse ainda que “quaisquer outras interpretações que extrapolem as informações aqui repassadas se constituem em evidente obra ficcional, sem relação com a realidade dos fatos e são, na prática, mais um rol de fake news”. Foi pouco antes de entrar na Embaixada, no dia 12 de fevereiro, que Bolsonaro convocou apoiadores para o ato na Avenida Paulista em apoio a ele. De acordo com as imagens reveladas ontem, o carro do ex-presidente entrou na representação diplomática às 21h37 e, por volta das 19h, começou a divulgar vídeo convocando apoiadores para a manifestação em São Paulo. Nas redes sociais de Bolsonaro, o vídeo foi publicado às 20h33. Caso seja processado e condenado pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e associação criminosa, o ex-presidente poderá pegar pena de até 23 anos de prisão e ficar inelegível por mais de 30 anos. Bolsonaro ainda não foi indiciado por esses crimes, mas as suspeitas levaram a Polícia Federal a deflagrar uma operação que mirou os aliados dele em 8 de fevereiro. O ex-presidente já foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por ataques e mentiras sobre o sistema eleitoral e é alvo de diferentes outras investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele está inelegível, pelo menos, até 2030.

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