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Política

Presidente da Comissão da Anistia cobra Lula: “Fala da tentativa, mas não do golpe?”

quinta-feira, 28 de março 2024

A presidente da Comissão de Anistia desde o início do governo Lula (PT), Eneá de Stutz e Almeida, se diz decepcionada e surpresa com a postura do presidente a respeito dos 60 anos do golpe de 1964. O aniversário da ditadura militar que durou mais de 20 anos no país ocorre no próximo domingo (31), sob silêncio do Palácio do Planalto determinado por Lula.

O petista proibiu atos em memória da data e disse, em entrevista no mês passado, que não quer ficar “remoendo sempre” o passado e que está mais preocupado com os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. “Como é que o presidente acha que é importante falar sobre tentativa de golpe [8 de janeiro], mas não acha que é importante falar sobre golpe?”, disse Eneá.

Da parte da Comissão, a programação sobre a data foi mantida. Primeiro, fará o primeiro julgamento de reparação coletiva da história do país, com pedidos de desculpas a dois povos indígenas e a um grupo de chineses. E, depois, uma sessão solene na Comissão de Legislação Participativa na Câmara, com homenagem a Clarice Herzog, viúva do jornalista Vladimir Herzog, perseguida pela ditadura.

Ao lamentar a tentativa de passar em branco os 60 anos do golpe, a presidente da Comissão da Anistia faz ainda um paralelo entre a fala de Lula e a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de “passar a borracha”. “Ambos [Lula e Bolsonaro] falaram a mesma coisa, ‘vamos passar a borracha’, porque o que interessa é a pacificação. Não dá para passar borracha no passado, seja 60 anos atrás ou um ano atrás. A gente tem que enfrentar legado de violência e autoritarismo”, disse.

Acuado diante do avanço nas investigações em diferentes frentes da Polícia Federal (PF), Bolsonaro convocou em fevereiro os apoiadores dele para ato na Avenida Paulista. Ele fez discurso dizendo buscar a pacificação, querer “passar uma borracha no passado, buscar maneiras de nós vivermos em paz” e pediu anistia aos presos pelo ataque golpista de 8 de janeiro de 2023.

Já Lula, dois dias depois, deu entrevista à RedeTV! e foi questionado sobre quais os planos do governo para o aniversário de 60 anos do golpe militar. Na ocasião, o mandatário disse estar mais preocupado com 8 de janeiro do que com 1964. “O que eu não posso é não saber tocar a história para frente, ficar remoendo sempre, remoendo sempre, ou seja, é uma parte da história do Brasil que a gente ainda não tem todas as informações, porque tem gente desaparecida ainda, porque tem gente que pode se apurar.”
A fala repercutiu mal entre familiares de vítimas da ditadura.

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