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Política

Ronaldo Martins quer moralizar gastos públicos

segunda-feira, 05 de setembro 2016

 

Ocandidato à Prefeitura de Fortaleza pelo PRB, Ronaldo Martins, afirmou, em entrevista ao Jornal O Estado, que os princípios éticos do ex-vice-presidente da República, José Alencar, podem inspirar a administração da cidade de Fortaleza. O republicano apontou a “falta de dinheiro” como principal problema da administração. Isso porque, segundo ele, metade da arrecadação é gasta com pagamento de pessoal e, no final, sobra pouco para investimentos. Se eleito, Ronaldo Martins prometeu construir o Hospital do Idoso e reestruturar as Secretarias Executivas Regionais (SER), que, de acordo com ele, servem apenas como “cabide de emprego”. Evangélico, Martins deixou claro que, caso chegue à Prefeitura, apoiará todos os eventos, independentemente de sua crença religiosa.

Jornal O Estado – Por que aceitou o desafio de disputar a Prefeitura de Fortaleza?
Ronaldo Martins – Foi um convite do meu partido e me sinto preparado para administrar a Cidade. O meu partido ainda é muito jovem, só tem 11 anos apenas. Mas, foi criado por um grande vice-presidente, que foi José Alencar. Um empresário, que mesmo sendo vice, dava suas sugestões e opiniões e críticas, sobretudo para área econômicas deste País. Ele, realmente, trouxe uma nova visão de fazer políticas. Na coleta de assinaturas, o nome era partido municipalista renovador. Ele, então, nunca vou esquecer disso, na convenção ele estava acamado e pediu aos médicos para participar do evento, que a princípio indagaram e ele falou ter medo da desonra e não da morte. Lá, fez dois pedidos – um foi mudar no nome para Partido Republicano Brasileiro e segundo foi não deixar no partido pessoas desonradas.

OE – Qual o principal problema de Fortaleza, hoje, e como o senhor pretende resolvê-lo?
RM – O maior problema, hoje, é a falta de dinheiro. Como assim, falta de dinheiro? Dinheiro tem. Falta é colocar no lugar certo. O que está acontecendo hoje? Toda arrecadação de Fortaleza, previsão deste ano é de R$ 7 bilhões. A metade deste dinheiro está sendo gasto com pagamento de pessoal. E isso é grave. Por quê? Vamos fazer uma conta rápida. Se metade da arrecadação é gasta com pessoal, sobra muito pouco para investimentos.

No primeiro dia da minha administração, iremos enxugar a máquina pública. As pessoas me perguntam se irei exonerar todo mundo? Não. Quem fará isso é o prefeito Roberto Cláudio. Todo final de gestão, qualquer prefeito ou governador exonera todo mundo. O que irei fazer é apenas não contratar. Ou seja, é preciso pensar no povo. Não tem como pegar metade da arrecadação e lotar de cargos comissionados, terceirizados. Só um contrato no Portal da Transparência, da Prefeitura, 300 milhões de reais. Não é justo com o povo. O IJF, anualmente, o gasto é de 337 milhões de reais. Toda arredação do IPTU de Fortaleza é 339 milhões de reais. Ou seja, isso não é justo. As pessoas estão morrendo nas filas dos hospitais à espera. E um bocado de aliado político e sendo criado mais secretárias. Não iremos fazer isso. Vou cortar em, pelo menos, 30% destes cargos comissionados e terceirizados e, assim, melhorar o salário dos funcionários efetivos, que fizeram concurso público. Os recursos do povo serão devolvidos para o povo.

OE – O senhor é um candidato pouco conhecido, embora não seja novato, como lidar com isso em uma campanha mais curta e com menos tempo de horário eleitoral?
RM – Costumo dizer que não tenho patrão e nem padrinho. E quem é meu patrão e padrinho é o povo. Isso me dá liberdade e condições de fazer cumprir o meu plano de governo. ele é livre de qualquer amarras, porque, no partido, não fiz muitos esforços porque queria moralizar a Prefeitura de Fortaleza, moralizar o dinheiro que é do povo. Nos dá condições de fazer isso. Embora com pouco tempo, as pessoas estão me ajudando a abraçar essa causa. Povo de Fortaleza está levando meu nome para todos os cantos, tem dito que tem que há esperanças, sim. Colocar os recursos no lugar certo e cortar aquilo que é desnecessário.

OE – Hoje, um dos problemas que mais aflige a população é a segurança pública. O que o senhor acha de armar a Guarda Municipal?
RM – Sou membro da Comissão de Combate ao Crime Organizado na Câmara dos Deputados. Antes mesmo de ser membro, a área da segurança é algo que gosto de atuar e acompanho as reivindicações da Guarda não só de Fortaleza, mas do Brasil. Nossa legislação já permite, que cidade acima de 500 mil habitantes, a Guarda Municipal venha ser preparada e capacitada para portar armamento.

Nós, não podemos fugir da realidade. Se cada fortalezense pudesse falar, sabe qual o resumo: socorro. As pessoas estão sendo assaltadas, até mesmo mortas, e iremos cruzar os braços e entregar ao bandido uma rosa. A Guarda precisa ser capacitada e preparada para portar armamento. Vou colocar a Guarda para proteger as escolas, sobretudo as crianças, além de atuar em praças e cuidar da população.

OE – A saúde tem sido um gargalo para as grandes cidades. O que sua administração pretende fazer para minimizar esse impacto?
RM – Se não cortar as despesas, não vai ter dinheiro para cuidar do povo. Primeira coisa, é reduzir o numero de secretarias. Se for analisar as maiores capitais, que só tem 19. Fortaleza, entre secretarias, autarquias e fundações, tem mais de 40. Ou seja, é tanto aliado e partido, que o administrador só tem duas opções: ou administra para os partidos ou vai pegar o dinheiro e cuidar dos povos. Com a diminuição dos repasses federais, que é geral, tem municípios que só tem um candidato a prefeito, porque não tem recurso.

Chegou a hora de mudar, colocar remédio no posto. Hoje, temos 11 hospitais. Porque estão todos lotados? Por que lá, na ponta, falta remédio e médicos. Tenho perguntado as pessoas: quais as prioridades?. Inclusive, será um marco na minha administração: a participação popular. Precisamos criar o Hospital do Idoso. Regional II, por exemplo, tem um orçamento de R$52 milhões. só com pagamento de pessoal é quase metade, R$24 milhões. muitas delas indicadas. o que irei fazer. e a regional II tem menos problemas, pois tem mais estrutura. entanto a regional V tem orçamento de R$ 29 milhões. E só com pagamento de pessoal é R$ 10 milhões. Sabe o que irei fazer um Hospital do Idoso na Regional V. Em cada bairro, colocarei uma central de atendimento e colocarei pessoal concursado e investirei o restante na saúde.

OE – O que é ainda possível fazer para melhorar a mobilidade urbana na cidade?
RM – Falar em mobilidade urbana não podemos esquecer do Uber e do Táxi Amigo. Quando começou a surgir o transporte alternativo, foi um desespero danado. As empresas de ônibus começaram a falar que tinha de barrar o transporte alternativo. Os mototáxis nem se fala. Estamos falando de 11 milhões de brasileiros desempregados. Estamos falando de fortalezenses que giram entorno de 230 mil pessoas desempregadas.

Existe espaço para todo mundo, sim. Então, o que iremos fazer? Vamos regulamentar. Tem como colocar os taxistas nos seus lugares, dar oportunidade ao Uber e táxi amigo. E não são bandidos, não. São pais de família, que possuem filhos para sustentar. Precisamos discutir o assunto e dar oportunidade.

OE – Qual vai ser a participação do vice-prefeito em uma eventual gestão sua?
RM – Primeiro, a minha vice traz a força da mulher. Isso, hoje, é fundamental. A mulher é mãe, muitas são pais também, trabalha, estuda. A mulher é guerreira. Identifiquei isso e reconheço isso sempre. A minha esposa e minha filha de 18 anos, então, sei a dificuldade da mulher que é mãe. E a mulher terá voz e vez na minha gestão. Minha vice, a Nina Carvalho, já foi conselheira tutelar e me ajudará na missão de cuidar das crianças e adolescentes.

Inclusive, ela já me trouxe a sugestão, que está no plano de governo, de criar o “Programa Acolher”. E o que é o programa? Hoje, muitos jovens estão morrendo por não ter um local para acolher os jovens ameaçados de morte. Acabou de sair uma pesquisa que aponta Fortaleza como a cidade onde mais se mata jovem com arma de fogo. E precisamos tomar uma atitude. Não haverá gastos, porque irei usar os prédios públicos existentes. E outra ela ficará junto comigo na Prefeitura.

OE – O senhor é da igreja evangélica, eleito Prefeito de Fortaleza, qual será a sua postura em relação a temas como a caminhada com Maria (evento tradicional da igreja católica e que está no calendário da cidade) e em temas como os programas dirigidos a comunidade LGBT?
RM – Todos os eventos existentes no calendário de Fortaleza terão o meu apoio. Iremos governar para todos. Não vou governar só para uma classe, ou tipo de pessoas, mas para todos. Caminhada de Maria estarei lá. Se é um evento do calendário de Fortaleza terá o apoio da Prefeitura. Quero aproximar todos, porque terei uma função para todas as religiões. Quem já tem trabalho para tirar os jovens das ruas, quero apoiar. Irei administrar uma cidade. E se queremos uma cidade igualitária, a atitude precisa partir do prefeito.

OE – O que o senhor vai dizer para convencer os fortalezenses a votar no senhor?
RM – O momento agora é importante. Vou pedir para as pessoas, que não venham vender seu voto. Estamos diante de uma oportunidade de ouro. De colocar a moralização em primeiro lugar. Se queremos moralizar o dinheiro público, a hora é agora. Sabe da onde vem o dinheiro da compra de voto? É o dinheiro que tá faltando para comprar o remédio para o posto de saúde. Ou seja, precisamos moralizar e a hora é agora. Vamos pegar o dinheiro publico e devolver ao povo em forma de obra.

Glossário

Coligação. Ronaldo Martins disputa a Prefeitura de Fortaleza sem coligação. Sua vice é a Nina Carvalho, que já pleiteou a vaga de deputada federal pelo PRB.

POR LAURA RAQUEL
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