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Política

Suspeitos de mandar matar Marielle são presos após mais de 6 anos do crime

segunda-feira, 25 de março 2024

Depois de exatos seis anos e dez dias depois do crime, a Polícia Federal (PF) prendeu os suspeitos de serem os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol/RJ), ocorrido no dia 14 de março de 2018. A ação criminosa também matou o motorista da parlamentar, Anderson Gomes. Já a assessora de Marielle, Fernanda Chaves, foi vítima de tentativa de homicídio. E, nesse domingo (24), os agentes federais deram passos significativos para a conclusão do caso e punição dos culpados, ao prenderem o deputado federal Chiquinho Brazão (União/RJ), o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RJ), Domingos Brazão, e o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil no Rio.

O cumprimento dos três mandados de prisão, no Rio de Janeiro, fez parte da operação Murder Inc., que cumpriu ainda 12 mandados de busca e apreensão, também no Rio. Foram alvo de busca o delegado Giniton Lages, que esteve à frente do caso Marielle no início das investigações; Marcos Antônio de Barros Pinto, que foi auxiliar de Giniton; e Robson Calixto Fonseca. A operação foi desencadeada cinco dias após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, homologar a delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, suspeito de ser o executor dos crimes.

De acordo com informações de investigadores, a colaboração de Lessa foi essencial para fechar a parte dos mandantes. As prisões desse domingo são tratadas na PF como uma grande conquista, porque o caso havia sido terminado sem chegar aos mandantes. No início de 2023, primeiros meses do governo Lula (PT), o novo superintendente da Polícia no Rio reabriu a apuração, desta vez em âmbito federal.
A Murder Inc. foi realizada em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF) e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. A operação ocorreu no domingo para surpreender os suspeitos, de acordo com as informações, porque havia a suspeita de que eles tentariam fugir. A ação teve apoio da Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro e da Secretaria Nacional de Políticas Penais, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.


Chiquinho Brazão e Domingos Brazão, que são irmãos, e Rivaldo Barbosa são suspeitos de serem os autores intelectuais dos crimes, de acordo com a investigação. Também são apurados os crimes de organização criminosa e obstrução de justiça.
Na investigação, Ronnie Lessa afirmou no acordo de colaboração premiada que ganharia lotes em um empreendimento imobiliário na zona oeste do Rio de Janeiro como pagamento pelo crime. Os integrantes da família Brazão são apontados como mandantes e o delegado da Polícia Civil teria atuado para obstruir a investigação após o assassinato.
A ocupação e o loteamento de áreas na região oeste do Rio está justamente entre os motivos, segundo a investigação, que levaram os integrantes da família Brazão a encomendar o assassinato de Marielle. Na coletiva sobre o caso, o diretor da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que o assassinato não tem apenas um único motivo. “São várias situações que envolvem a vereadora, e o ministro [da Justiça, Ricardo Lewandowski] falou da questão política, e que envolve questões ligadas a milícias, disputa de território e legalização de empreendimentos.”

A vereadora defendia que as áreas na região oeste do Rio fossem destinadas para fins sociais e de moradia popular. Na delação, Lessa disse que o planejamento do crime começou no segundo semestre de 2017.
À imprensa, a defesa de Domingos Brazão afirmou que ele não conhecia a vereadora: “Não sabemos da imputação que foi feita. Tenho certeza que ele é inocente. Não procede a imputação. Ele não tem ligação com a Marielle, não conhecia.” A defesa do delegado informou que Rivaldo não obstruiu as investigações sobre os assassinatos. A defesa do deputado não se manifestou até o fechamento desta edição.

Veja a linha do tempo da investigação do caso Marielle Franco
As investigações foram marcadas por morosidade, mudanças recorrentes no comando das apurações e acusações de tentativas de despistar as autoridades

2018
14 de março: Marielle e Anderson foram mortos a tiros enquanto voltavam de um evento. O carro onde estavam foi alvejado quando passavam pela região central do Rio
16 de março: A polícia identificou dois veículos envolvidos no assassinato. Uma das placas havia sido adulterada
11 de outubro: O Ministério Público do Rio de Janeiro disse ter identificado o biotipo do assassino
1º de novembro: A Polícia Federal entrou no caso e abriu inquérito para apurar esquema voltado a obstruir a investigação e impedir a “elucidação dos mandantes e executores reais” do caso
22 de novembro: O secretário de Segurança Pública do Rio, general Richard Nunes, afirmou que a Polícia Civil identificou alguns participantes do assassinato
2019
14 de janeiro: O Ministério Público e a Polícia Civil passaram a seguir linhas distintas de investigação
21 de fevereiro: A PF fez operação para apurar obstáculos às investigações
12 de março: O policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz foram presos suspeitos de terem participado do crime
20 de março: Inquérito da Polícia Federal citou o ex-deputado estadual Domingos Brazão (ex-MDB) entre os suspeitos de ser um dos mandantes do crime
23 de março: A Polícia Federal concluiu que houve tentativa de atrapalhar investigações, em relatório enviado a Raquel Dodge, então procuradora-geral da República
31 de maio: O PM Rodrigo Jorge Ferreira, conhecido como Ferreirinha, foi preso acusado de mentir para incriminar o miliciano Orlando da Curicica como um dos mandantes
17 de setembro: No último dia no cargo, Raquel Dodge denuncia ao STJ cinco suspeitos de fraudar as investigações
3 de outubro: A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu Elaine de Figueiredo Lessa, mulher de Ronnie Lessa, e o irmão dela, Bruno Figueiredo
29 de outubro: Porteiro de condomínio de Jair Bolsonaro afirmou que Élcio Queiroz, suspeito de matar Marielle, pediu para ir à casa do ex-presidente
1 de novembro: A promotora Carmen Carvalho se afastou das investigações após a divulgação de fotos dela em apoio a Bolsonaro
20 de novembro: Porteiro que citou Bolsonaro no caso Marielle recuou e disse à PF que errou
2020
27 de maio: STJ rejeitou pedido da PGR para que a investigação fosse federalizada
2021
10 de março: O Ministério Público do Rio de Janeiro anunciou criação de força-tarefa
10 de julho: As promotoras Simone Sibilio e Letícia Emile deixaram a investigação após acusarem interferências externas
26 de julho: O Ministério Público do Rio de Janeiro anunciou nova força-tarefa
2023
22 de fevereiro: Flávio Dino, então ministro da Justiça, determinou a instauração de inquérito na PF para ampliar a colaboração federal
23 de julho: O ex-PM Élcio Queiroz fechou acordo de delação premiada e assumiu ter participado do assassinato
2024
24 de janeiro: Ronnie Lessa fechou acordo de delação premiada
25 de janeiro: Alexandre de Moraes disse que “Abin paralela” de Bolsonaro monitorou promotora do caso Marielle
28 de fevereiro: Edilson Barbosa dos Santos, conhecido como Orelha, foi preso acusado de ter destruído o carro usado no assassinato
14 de março: O STF recebeu parte da investigação após citação de pessoas com prerrogativa de foro
19 de março: O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, anunciou a homologação da delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa
24 de março: PF prendeu Domingos e Chiquinho Brazão, suspeitos de mandar assassinar Marielle, e o delegado Rivaldo Barbosa

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