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Saúde

Fumacê tem eficácia questionada e pode fazer mal à saúde

domingo, 24 de março 2024

Estratégia amplamente adotada por prefeituras e governos dos estados para o combate à dengue, o fumacê contém substâncias que fazem mal à saúde e tem eficácia questionada por especialistas.
Repassados às gestões pelo Ministério da Saúde para uso em surtos e epidemias de arboviroses, o fumacê geralmente utiliza um inseticida formulado a partir da associação dos químicos imidacloprida e praletrina, substâncias classificadas como neonicotinoide e piretroide, respectivamente.

Os neonicotinoides, usados também na agricultura, são proibidos na União Europeia desde 2018. O composto leva à interrupção dos estímulos nervosos nos insetos e é associado ao declínio global das abelhas. Com composição semelhante à da nicotina, o contato constante com a imidacloprida é associado a casos de intoxicação e a sintomas como vômitos, falta de ar e tontura, de acordo com o Centro de Informações Nacional de Pesticidas dos Estados Unidos.

Um estudo de caso publicado no Indian Journal of Critical Care Medicine, da Sociedade Indiana de Medicina de Cuidados Intensivos, aponta que a substância já foi utilizada para tentativa de suicídio. Ao ingerir uma quantidade da imidacloprida, o paciente teve hipocalemia (baixo nível de potássio), depressão do sistema nervoso central e parada respiratória.

Para a médica do trabalho Lia Giraldo, coordenadora do grupo temático de saúde e ambiente da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), a aplicação de produtos usados na agricultura para o controle do vetor de arboviroses –o mosquito Aedes aegypti– é feita sem análise do impacto na saúde humana.
“Temos um grave problema de regulação, controle e fiscalização. É muito interessante quando a saúde pública toma emprestado produtos que foram feitos com outro objetivo”, diz.

“Os mosquitos têm uma adaptação do ponto de vista ecológico, têm uma vida curta e por isso têm uma robustez biológica. Eles criam resistência. Vamos criando novos venenos e nós, que vivemos mais tempo que o mosquito, adoecemos e ficamos mais vulneráveis a infecções”, observa.

omentos em que o inseto está mais ativo.

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