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Brasil tem que assumir protagonismo na América do Sul para contribuir com a erradicação da Covid-19, diz especialista

Para o médico Fábio Gastal,  País precisa participar da estratégia da Organização Mundial da Saúde (OMS) para doação ou venda de imunizantes com preço subsidiado aos países vizinhos mais pobres, a fim de conter a disseminação da doença na região e o potencial surgimento de uma cepa resistente à vacina.

Foto: Reprodução/Pexels

Se a vacinação continuar no ritmo atual, 90% dos brasileiros deverão estar totalmente imunizados contra o Sars-cov2 até o primeiro semestre de 2022. Mas não basta manter a doença sob controle. É imperativo que o Brasil dialogue com a OMS a fim de participar da estratégia de doação ou venda a preço subsidiado da vacina contra covid-19 aos seus vizinhos mais pobres para erradicar a  doença na região. Além disso, poderia usar sua capacitação técnica e sua larga experiência para ajudar a acelerar os programas nacionais de vacinação desses países. É o que defende o médico Fábio Gastal, superintendente de Novos Negócios da Seguros Unimed, presidente do Conselho da ONA (Organização Nacional de Acreditação), diretor acadêmico da Faculdade Unimed e coordenador científico da Hospitalar.

Por fazer fronteira com quase todos os países da América do Sul, o Brasil precisa se preocupar não só com a imunização de seus cidadãos como também com o andamento da vacinação no seu entorno. “Mesmo estando 100% imunizado, o brasileiro que entrar em contato com pessoas não vacinadas vindas de países vizinhos vai se contaminar ou recontaminar, contribuindo para disseminar a doença e até para o surgimento de uma cepa mais forte e resistente às vacinas existentes”, afirma Gastal.

De acordo com a OMS, a média da população sul-americana totalmente imunizada é de 40%. Mas a situação país a país é bem desigual. Enquanto no Chile e Uruguai 73% das pessoas já receberam as duas doses da vacina, na Argentina esse porcentual é de 47%, estando um pouco acima do Brasil que é de 41%.  Já a média de pessoas totalmente imunizadas na Venezuela é de 14,9%, Paraguai 25,9% e Bolívia, 27%.

Gastal entende que, com o avanço da vacinação no Brasil e a retomada da economia, os imigrantes de países mais pobres voltarão ao território nacional à procura de trabalho. E, sem vacina, vão-se tornar potenciais transmissores do Sars-cov2. “Embora façamos o controle da entrada de estrangeiros nos aeroportos, não conseguiremos impedir os fluxos migratórios, porque a pobreza se movimenta de forma ilegal e clandestina”, pondera.

Na sua visão, a única maneira de erradicar a covid-19 é conter a circulação do vírus. Neste particular, faz uma analogia à ação realizada no continente para conter a febre aftosa. Ele lembra que um país ajudou o outro a vacinar o gado para evitar que animais trazidos de países onde a cobertura vacinal era baixa contaminassem o rebanho local. “Agora tem estados brasileiros que não precisam mais vacinar o gado, porque o vírus não circula mais”, comemora. O médico afirma que o Brasil é um dos poucos países autossuficientes na produção de vacina. E precisa se organizar para se transformar em um país fornecedor de vacinas contra a covid-19 investindo, por exemplo, na Butanvac, do Instituto Butantan, que demonstrou ser segura e capaz de induzir alta resposta imunológica, segundo resultados preliminares da primeira fase de estudos clínicos realizados na Tailândia. Ele acredita que o País deveria fazer doações diretas para os países pobres ou reforçar o consórcio da OMS, o Covax Facility.  “O Brasil é uma potência econômica, não podemos nos dar ao luxo de cuidar apenas dos nossos problemas, mas temos de cuidar também da América do Sul”, argumenta.

Por fim, ele afirma que o Brasil deveria ajudar ainda os países de língua portuguesa na África, com os quais mantém fortes laços histórico-culturais. Na Guiné Bissau, por exemplo, que vacinou apenas 0,3% da população com as duas doses. Em Angola, o contingente de pessoas totalmente imunizadas não chega a 3% e em Moçambique este porcentual é de apenas 5,4%.  “Temos uma dívida histórica muito grande com esses países e seria uma boa hora de sanarmos parte dela”, conclui.

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