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terça-feira, 30 de novembro de 2021.
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Campanha Natal Sem Fome 2021 será lançada no domingo

Ao passo em que o Brasil se consolida como o segundo maior exportador de alimentos do mundo, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), dados da  Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan) revelam que 19 milhões de brasileiros se encontram em situação de fome no País e mais da metade dos domicílios brasileiros (55,2% – 116,8 milhões de pessoas) enfrentam algum grau de insegurança alimentar, seja ela leve (preocupação com quantidade e qualidade dos alimentos disponíveis), moderada (restrição quantitativa de alimento) ou grave (identificada como fome). Neste contexto, a Campanha Natal Sem Fome 2021, realizada pela ONG Ação da Cidadania, será lançada em todo o País, no próximo domingo (17), com a missão de mobilizar a sociedade civil para que milhares de famílias celebrem a data com dignidade e prato cheio.

Foto: Divulgação

Em Fortaleza, o lançamento ocorre no Parque do Cocó, às 8h, no dia 17 de Outubro. O Instituto Nordeste Cidadania (Inec) é responsável pela articulação da campanha em todo o Nordeste e no norte de Minas Gerais e do Espírito Santo, e prepara uma ação de conscientização no local, dando início à arrecadação de alimentos não-perecíveis para a campanha. A expectativa é que esse seja o maior Natal Sem Fome da história. Só no Ceará, a meta de arrecadação é de 73 mil toneladas de alimentos. Já em todo o território de atuação do Inec, a meta é arrecadar 240 toneladas ao todo. 

Em 2020, o Instituto arrecadou mais de 4,7 mil toneladas de alimentos. No Ceará, aproximadamente 28 mil famílias foram beneficiadas com mais de 106 toneladas de alimentos.

Tema da Campanha


Nesta edição, a campanha traz como tema uma releitura da “Fábula do Beija-Flor”, uma das mais conhecidas histórias contadas pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, fundador da Ação da Cidadania. Nela, o pássaro é questionado ao tentar apagar um incêndio na floresta levando água no bico. Ele tem consciência de que sozinho não consegue, mas dá o exemplo de que se cada animal da floresta fizer a sua parte, o fogo vai cessar. Neste sentido, a campanha é um convite para que as pessoas deem asas à solidariedade e também se transformem em beija-flores e possam contribuir com qualquer valor para a campanha.

Como doar

Qualquer pessoa pode participar individualmente ou com a arrecadação e doação em grupos. Empresas podem também fazer suas doações. Os interessados podem acessar www.inec.org.br/doe ou www.natalsemfome.org.br e contribuir com qualquer valor, que será revertido para compra de cestas básicas. Doações de gêneros alimentícios não perecíveis podem ser entregues até o dia 18 de dezembro, na Sede do Inec, localizada na Av. Dr. Silas Munguba, 3500, bairro Itaperi.

Em âmbito nacional, a ação conta com a parceria de duas agências da ONU, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA). Organizações e empresas como Vale, iFood, Coca-Cola, Claro, TikTok e Ancar também participarão nacionalmente de toda a Campanha. No Ceará a iniciativa conta, ainda, com a parceria da Ticket, Camed Corretora, Defesa Civil do Ceará, Movimento ODS Ceará e Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional (Conseas) do Ceará e de Fortaleza.

Mais informações sobre a Fome no Brasil

Embora os efeitos econômicos da pandemia não possam ser ignorados diante do cenário da fome no País, a situação já vinha se agravando desde antes da crise da Covid-19. Em 2018, eram 10,3 milhões de brasileiros nessa condição. Nos últimos meses de 2020, já eram 09 milhões de pessoas a mais sofrendo com a mazela da fome. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), nesse intervalo (2018-2020), 23,5% da população brasileira deixou de comer ou precisou reduzir a quantidade e a qualidade dos alimentos ingeridos por falta de dinheiro.

Isso demonstra como a fome também está relacionada a outras desigualdades no país, como o desemprego. No primeiro trimestre de 2021, o Brasil alcançava mais um recorde negativo e somava pelo menos 14,8 milhões de desempregados, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Aliada a tudo isso, a alta dos preços dos alimentos também contribui para que as necessidades da população sejam cada vez mais básicas. Em um ano de pandemia, o preço dos alimentos já havia aumentado 15% no país, segundo o IBGE. A taxa é quase o triplo da inflação geral registrada no mesmo período, 5,2%.

No final de setembro, a OAB Nacional, a pedido da Ação da Cidadania, entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) cobrando o governo federal a adotar uma série de medidas de combate à fome no país. Entre elas, estão a retomada do auxílio emergencial no valor de R$ 600 e das atividades do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. O STF determinou um prazo de dez dias para que o governo apresente informações sobre os questionamentos.

Sobre a Campanha

O Natal Sem Fome já levou alimentos para mais de 20 milhões de pessoas por todo o Brasil desde seu lançamento em 1994, um ano após a fundação da Ação da Cidadania. Na época, a iniciativa de Betinho surgiu como um caminho para combater a fome e a desigualdade socioeconômica em nosso País, e ajudar os mais de 32 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza naquele ano. Após dez anos sem ser realizada, a campanha voltou em 2017.

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