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Parlamentar conservador morre após ser esfaqueado na Inglaterra

Um membro do Parlamento britânico morreu depois de ter sido esfaqueado várias vezes enquanto se reunia com eleitores em uma igreja na cidade de Leigh-on-Sea, no condado de Essex, no leste da Inglaterra. David Ammes, 69, era do Partido Conservador, o mesmo do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson.

Foto: Reprodução/Pexels


O parlamentar estava na Igreja Metodista de Belfairs, sede escolhida para um encontro quinzenal entre os membros do Legislativo e seu eleitorado. Testemunhas disseram que um homem armado com uma faca entrou no prédio e atacou Amess.
Membros do seu gabinete haviam confirmado o esfaqueamento, mas não tinham dado detalhes sobre o estado de saúde do parlamentar. Amess estava recebendo cuidados médicos imediatos ainda dentro da igreja, mas não resistiu aos ferimentos.
Em uma publicação no Twitter, a polícia de Essex disse que chegou à igreja pouco depois das 12h (8h no horário de Brasília). No local, um homem de 25 anos ainda não identificado publicamente foi preso e uma faca foi apreendida. “Não estamos procurando por mais ninguém em conexão com o incidente e não acreditamos que haja uma ameaça em andamento para o público em geral”, escreveu a corporação.
Imagens da emissora britânica Sky News mostraram grupos de policiais armados do lado de fora da igreja, bem como várias ambulâncias. Um porta-voz da igreja não quis comentar o caso.
Segundo o jornal The Guardian, oficiais das unidades antiterrorismo do país estavam monitorando a situação de perto e sendo atualizadas sobre os detalhes do crime. Uma possível motivação terrorista não foi descartada, embora nenhuma evidência conhecida sustente esse tipo de suspeita.
A morte de Amess agora se soma a uma estatística no Reino Unido que preocupa mais que a violência envolvendo armas de fogo, como nos Estados Unidos e em grande parte da América Latina, por exemplo.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas, o país registrou mais de 41 mil crimes envolvendo facas entre março de 2020 e março de 2021. O levantamento inclui homicídios, como no caso de Amess, mas também tentativas de assassinato, ameaças de morte, agressões/lesões corporal, roubos, estupros e agressões sexuais.
O número representa uma queda de 15,3% em relação ao período anterior -o que pode ser explicado por uma queda na criminalidade no período mais severo da pandemia de coronavírus. Em relação a 2010/11, porém, o índice de crimes envolvendo facas cresceu 27,4%.
Amess era casado e pai de cinco filhos. Foi eleito pela primeira vez para o Parlamento para representar a cidade de Basildon em 1983, e depois se candidatou às eleições pelo distrito de Southend West em 1997. Em seu site oficial, o parlamentar elencava “bem-estar animal e questões pró-vida” entre seus principais interesses na legislatura.
Segundo a imprensa britânica, Amess pediu, no início do ano, um aprimoramento das medidas preventivas contra crimes cometidos com facas. O parlamentar também se opunha a projetos de lei que promovem direitos da comunidade LGBTQIA+, como o que reconhece a legitimidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
O esfaqueamento desta sexta-feira ecoa um caso de 2010, quando Stephen Timms, um parlamentar do Partido Trabalhista, sobreviveu a um ataque parecido em seu gabinete. Em 2016, Jo Cox, também trabalhista, foi assassinada aos 41 anos por um militante de extrema direita no período que antecedeu o referendo em que os britânicos votariam pelo brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia.
Timms, em uma publicação nas redes sociais, disse estar chocado com o ataque a Amess. A fundação criada em homenagem a Jo Cox, assim como o viúvo da parlamentar também se manifestaram. “Atacar nossos representantes eleitos é atacar a própria democracia. Não há desculpa, não há justificativa. É o [ato] mais covarde possível”, disse Brendan Cox.
O premiê Boris Johnson ainda não se manifestou publicamente sobre o caso, mas sua esposa, Carrie, que foi diretora de comunicação do Partido Conservador, descreveu como “absolutamente devastadora” a notícia da morte de Amess. “Ele era extremamente gentil e bom. Um enorme amante dos animais e um verdadeiro cavalheiro. Isso é completamente injusto.”

Fonte: Folhapress

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